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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Novatos na rodovia

     Virar motorista não é uma experiência fácil. Depois de fazer exames, 45 horas de aulas teóricas, prova, 20 horas de aulas práticas e o exame de direção, você conquista a primeira habilitação. No primeiro ano, a carteira é classificada como permissão para dirigir. Só depois desse período, se não acumular mais de quatro pontos de infrações, você recebe a habilitação definitiva, válida por mais quatro anos.
     Até lá, para ganhar experiência e segurança de enfrentar o trânsito das cidades não tem outro jeito senão praticar. Mas existe uma situação para a qual você não é preparado na autoescola: dirigir na estrada. Muitas vezes é justamente isso que querem alguns novatos na direção. Uns porque moram em cidades de região metropolitana e precisam se deslocar para o trabalho, outros que simplesmente querem ir à praia com os amigos. 
     Até o final de 2004, eram obrigatórias aulas de direção em estradas. Mas a partir da publicação da Resolução 168/2004 do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), os critérios para formação de condutores foram alterados e a prática em rodovia foi abolida. 
    E aí, sem essas aulas, o que fazer?


Mesmo que a carteira ainda seja permissão, o motorista pode dirigir na estrada. Com o devido cuidado, claro.


     Em primeiro lugar é importante saber que a permissão é "válida em todo o território nacional". A frase está na carteira que você recebe. Dessa forma, mesmo se carteira ainda for de permissão, o motorista está legalmente habilitado para viajar por qualquer cidade do Brasil.
     Também é fundamental realizar uma revisão completa no veículo, seja carro ou moto. Isso reforça sua segurança, reduz o risco de acidentes, e evita que você seja pego de surpresa por um pneu furado, um defeito no motor ou uma pane elétrica, por exemplo. Melhor prevenir para não ficar parado na rodovia.
     Depois, vale a mesma regra para o trânsito das cidades, uma hora você vai ter que começar. A diferença fica por conta dos cuidados redobrados, uma vez que na estrada a velocidade de fluxo é maior. Além disso, o motorista precisa dividir a pista com outros veículos de grande porte, como ônibus e caminhões, e saber lidar também as condições da rodovia, que nem sempre são as melhores.
     Os motoristas novatos de Porto Alegre têm uma alternativa para dar aquela treinada e perder um pouco o medo. A opção é percorrer a Av. Castelo Branco, única via expressa da Capital, onde o limite de velocidade é de 80 km/h, o mesmo da maioria das rodovias gaúchas. Sim meus amigos, só ali é permitido dirigir um pouco mais rápido, em todo o resto da área urbana de Porto Alegre o limite de velocidade é de, no máximo, 60 km/h.


Av. Castelo Branco, Porto Alegre / RS


     Passando pelo Túnel da Conceição, depois virando à direita na Rodoviária, o percurso pela Av. Castelo Branco até o Shopping DC Navegantes, onde é possível fazer o retorno, tem condições de trânsito bem parecidas às de uma estrada. Isso possibilita ao motorista praticar com um pouco mais de velocidade, que é o principal fator diferencial de dirigibilidade.
     Antes de experimentar essa dica, nunca é demais lembrar que prudência e responsabilidade são indispensáveis para o trânsito seguro onde quer que seja. Nunca esqueça de usar os equipamentos de proteção como cinto de segurança, para os carros, e capacete, para as motos. O vídeo destaque dessa semana é uma campanha portuguesa produzida em 1994. A história é bem humorada, mas mostra que desde aquela época negligenciar sua segurança não é nada engraçado. Assista no topo do blog.  
     E claro: se beber, não dirija. Se dirigir, não beba!

sábado, 13 de março de 2010

Outra dimensão de cinema

     Finalmente, na quarta-feira que passou (10/04), me despi dos preconceitos e fui ao cinema assistir Avatar em 3D. Num primeiro momento, pensei que a história dos guerreiros alienígenas azuis não renderia nada além de mais um filme típico de Sessão da Tarde, apesar de toda a propaganda em cima os altos investimentos em tecnologia e efeitos visuais inéditos. Depois do Oscar 2010, que deu o prêmio de melhor filme para Guerra ao Terror, produção de custo absolutamente menor, resolvi tirar minhas próprias conclusões. O resultado foi um tremendo tapa de luva do diretor James Cameron, com um longa-metragem de estética surpreendente.
      É bem verdade que o enredo é simplório, cheio de estereótipos do mocinho ao vilão. Os Na´Vi, povo do planeta Pandora, lutam para defender sua terra dos invasores humanos, que não medem esforços para destruir a natureza do lugar em nome da ganância. Mas a técnica de filmagem, a condução das cenas e a construção dos cenários e personagens em terceira dimensão fazem de Avatar mais do que um filme, uma experiência.
     Pano de fundo principal, a floresta criada por meio de computação gráfica de ponta, amplifica a confusão do espectador entre o real e o virtual. Cada árvore, flor ou ser que habita a mata em Pandora parecem vivos, como se estivessem na frente dos seus olhos. Durante as filmagens, o diretor instalou uma câmera especial a frente do rosto do atores, cujos movimentos são captados para dar vida aos corpos criados no computador. Os detalhes na expressão facial dos personagens virtuais são de deixar qualquer um boquiaberto ou, no popular, de “cair os butiás do bolso”.
     Em determinados momentos você tem a impressão de ter sido transportado para o meio dos conflitos da trama. Em várias cenas, a técnica de colocar um dos personagens em primeiro plano, dá uma noção tão precisa de volume que eles parecem estar do lado de fora da tela. Da mesma forma, as minúsculas sementes de Eywa, árvores sagrada dos Na´Vi, flutuam à sua volta. E quando os guerreiros se reúnem antes da batalha é como se uma multidão tivesse invadido a sala de cinema.
     Mas para além do deslumbramento visual, o diretor consegue bons resultados com um roteiro que, apesar de simples, atinge o público com momentos de impacto e comoção. A ambição humana desenfreada que destrói a natureza em Pandora é uma analogia chocante com a realidade do nosso planeta, que causa no espectador um sentimento de solidariedade com a luta do povo Na´Vi.
     Embora o preço das sessões 3D ainda seja um pouco salgado, R$ 19,00 em média nos cinemas da Capital, a experiência é compensatória. Se o amigo leitor estiver em Porto Alegre vale a pena aproveitar a oportunidade e assistir. Depois de Avatar, vem aí o longa Alice, dirigido por Tim Burton, que estreou na Argentina com recordes de bilheteria. A história da menina no país das maravilhas entra em cartaz no Brasil em 23 de abril e promete surpreender. A tecnologia inaugurada por Cameron dá início a uma nova etapa no ramo das produções cinematográficas.

Aos poucos

     Reproduzo aqui o e-mail que recebi do professor Adilson Leones Godoi de Carvalho, sobre a última coluna, na qual falei da dependência financeira da imprensa gabrielense aos meios políticos.

Caro Carlos Ismael

Li um artigo seu no blog do Anderson Almeida (Da capital ao Pampa) e gostei muito. Acredito que críticas como esta poderão mudar aos poucos a mentalidade da época da Ditadura militar que ainda prevalece em nossa terra. Às vezes escuto falas de pessoas influentes (e com poder) na cidade e parece que estou na década de 1970, no auge da ditadura militar. Fico feliz em saber de sua defesa pela "ética, liberdade e verdade".

Um abraço,
Prof. Adilson.

     É bom saber que minha indignação faz eco em pessoas como o professor Adilson, que não ficam mudas diante do que está errado e dão seu alerta para que, aos poucos, mudemos essa triste realidade.