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sábado, 1 de maio de 2010

Novos horizontes

      Quando me propus a escrever a coluna Da Capital ao Pampa, optei por fazer um trabalho de completo distanciamento de influências, fosse qual fosse a origem. Este é sempre o caminho mais difícil, obstaculizado, e exige grande esforço para se fazer um Jornalismo de qualidade. Mas já sabia de tudo isso quando fiz minha opção e não me arrependo.
     Em uma avaliação do que produzi até agora, cheguei a conclusão de que a coluna não tem perfil para estar vinculada exclusivamente a um ou outro veículo. Ainda mais no contexto de São Gabriel, em que a imprensa tem uma posição bem definida na maioria das questões sociais, principalmente políticas, como escrevi em uma edição anterior. Além disso, minha intenção sempre foi escrever para toda população gabrielense, e acredito que chegou o momento de novos horizontes para ampliar as possibilidades de alcançar esse público.
     Por isso, tomei a decisão de que daqui para frente, a coluna será enviada a todos os jornais de São Gabriel. O leitor poderá conferir quais veículos receberam o texto ao final de cada uma das edições. Irão publicar aqueles que julgarem o conteúdo como um bom material jornalístico. Os que, por razões particulares que não me cabem, encontrarem algum conflito, não vão publicar.
     Dessa forma, serei mais honesto com o propósito da coluna e com os leitores. Além de valorizar a liberdade de expressar minha opinião, favorável ou contrária, sobre qualquer assunto.

Ficha Limpa
 
     Uma de minhas primeiras decepções com a política ocorreu na pré-adolescência, período em que você começa a se questionar sobre o funcionamento da vida em uma sociedade. Não conseguia entender, e na verdade ainda não consigo, como um político que já foi condenado por algum crime ou irregularidade, pode se candidatar nas próximas eleições. Na inocência da idade, acreditava que criminosos e corruptos não podiam fazer parte do governo e ponto final. Mas o tempo nos mostra que na política há muitos outros fatores além da separação entre o certo e o errado, que dão espaço para uma série de imperfeições difíceis de entender.
     O poder de consertar essas imperfeições está, antes de qualquer coisa, nas mãos daqueles para quem a política e os governos existem: o povo. É justamente por uma iniciativa popular, que tramita na Câmara Federal o Projeto de Lei Complementar (PLP) 518/09, conhecido como Ficha Limpa, que pode acabar com a farra dos políticos em débito com a justiça. O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), recolheu 1,3 milhão de assinaturas de eleitores em todo país.
     O objetivo é alterar a Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, chamada Lei das Inelegibilidades. A intenção do Ficha Limpa é proibir a candidatura de políticos que já tenham sido condenados por crimes graves ou corrupção, e dos que renunciaram para evitar a cassação do mandato. A iniciativa popular prevê que esses parlamentares fiquem inelegíveis por oito anos.
     Desde que foi apresentada, a proposta já recebeu 28 emendas com o intuito de reduzir seu impacto. O texto original determinava que o candidato perderia o direito de concorrer já na condenação em primeira instância. Em Comissão Especial, o parecer do relator, deputado Índio da Costa (DEM-RJ), mudou a regra para condenação por órgão colegiado, o que geralmente acontece em segunda instância ou com pessoas que tenham foro privilegiado. Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o relator, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), acrescentou a possibilidade de um pedido de recurso a um tribunal superior para suspender a inelegibilidade. Mesmo assim, a matéria empacou na CCJ.
     Contudo, foi assinado na quarta-feira (28/04) um requerimento de urgência para levar o projeto direto para o plenário, que deve ser votado na terça-feira (04/05). Caso obtenha pelo menos 257 votos a favor, coloca o Ficha Limpa na pauta do plenário. O mérito da proposta deve ser votado na quarta-feira (05/05).
     Estamos no melhor momento para fazer a valer a vontade do povo brasileiro. Em ano de eleição os políticos ficam mais sensíveis a pressão. No site da Câmara (http://www2.camara.gov.br/participe/fale-com-o-deputado), é possível enviar uma mensagem diretamente aos deputados. No endereço http://www.avaaz.org/po/mobilize_ficha_limpa/, você encontra uma lista dos telefones dos gabinetes de todos os parlamentares. Vamos cobrar, exigir que representem a vontade do povo e aprovem o projeto.
     Para quem diz que não vale a pena, basta lembrar que o MCCE conseguiu aprovar a lei nº 9.840/1999, a primeira de iniciativa popular do país, que prevê a cassação por compra de voto ou uso da máquina pública para campanha. Por meio dessa lei, mais de 600 políticos corruptos já tiveram seus mandatos cassados. A aprovação do Ficha Limpa é fundamental para melhorar a política nacional. Apoie e contribua para evitar que Arrudas, Collors e Dirceus voltem a atacar.

sábado, 13 de março de 2010

Outra dimensão de cinema

     Finalmente, na quarta-feira que passou (10/04), me despi dos preconceitos e fui ao cinema assistir Avatar em 3D. Num primeiro momento, pensei que a história dos guerreiros alienígenas azuis não renderia nada além de mais um filme típico de Sessão da Tarde, apesar de toda a propaganda em cima os altos investimentos em tecnologia e efeitos visuais inéditos. Depois do Oscar 2010, que deu o prêmio de melhor filme para Guerra ao Terror, produção de custo absolutamente menor, resolvi tirar minhas próprias conclusões. O resultado foi um tremendo tapa de luva do diretor James Cameron, com um longa-metragem de estética surpreendente.
      É bem verdade que o enredo é simplório, cheio de estereótipos do mocinho ao vilão. Os Na´Vi, povo do planeta Pandora, lutam para defender sua terra dos invasores humanos, que não medem esforços para destruir a natureza do lugar em nome da ganância. Mas a técnica de filmagem, a condução das cenas e a construção dos cenários e personagens em terceira dimensão fazem de Avatar mais do que um filme, uma experiência.
     Pano de fundo principal, a floresta criada por meio de computação gráfica de ponta, amplifica a confusão do espectador entre o real e o virtual. Cada árvore, flor ou ser que habita a mata em Pandora parecem vivos, como se estivessem na frente dos seus olhos. Durante as filmagens, o diretor instalou uma câmera especial a frente do rosto do atores, cujos movimentos são captados para dar vida aos corpos criados no computador. Os detalhes na expressão facial dos personagens virtuais são de deixar qualquer um boquiaberto ou, no popular, de “cair os butiás do bolso”.
     Em determinados momentos você tem a impressão de ter sido transportado para o meio dos conflitos da trama. Em várias cenas, a técnica de colocar um dos personagens em primeiro plano, dá uma noção tão precisa de volume que eles parecem estar do lado de fora da tela. Da mesma forma, as minúsculas sementes de Eywa, árvores sagrada dos Na´Vi, flutuam à sua volta. E quando os guerreiros se reúnem antes da batalha é como se uma multidão tivesse invadido a sala de cinema.
     Mas para além do deslumbramento visual, o diretor consegue bons resultados com um roteiro que, apesar de simples, atinge o público com momentos de impacto e comoção. A ambição humana desenfreada que destrói a natureza em Pandora é uma analogia chocante com a realidade do nosso planeta, que causa no espectador um sentimento de solidariedade com a luta do povo Na´Vi.
     Embora o preço das sessões 3D ainda seja um pouco salgado, R$ 19,00 em média nos cinemas da Capital, a experiência é compensatória. Se o amigo leitor estiver em Porto Alegre vale a pena aproveitar a oportunidade e assistir. Depois de Avatar, vem aí o longa Alice, dirigido por Tim Burton, que estreou na Argentina com recordes de bilheteria. A história da menina no país das maravilhas entra em cartaz no Brasil em 23 de abril e promete surpreender. A tecnologia inaugurada por Cameron dá início a uma nova etapa no ramo das produções cinematográficas.

Aos poucos

     Reproduzo aqui o e-mail que recebi do professor Adilson Leones Godoi de Carvalho, sobre a última coluna, na qual falei da dependência financeira da imprensa gabrielense aos meios políticos.

Caro Carlos Ismael

Li um artigo seu no blog do Anderson Almeida (Da capital ao Pampa) e gostei muito. Acredito que críticas como esta poderão mudar aos poucos a mentalidade da época da Ditadura militar que ainda prevalece em nossa terra. Às vezes escuto falas de pessoas influentes (e com poder) na cidade e parece que estou na década de 1970, no auge da ditadura militar. Fico feliz em saber de sua defesa pela "ética, liberdade e verdade".

Um abraço,
Prof. Adilson.

     É bom saber que minha indignação faz eco em pessoas como o professor Adilson, que não ficam mudas diante do que está errado e dão seu alerta para que, aos poucos, mudemos essa triste realidade.