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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Algo estranho na água

     Na última coluna, trouxe o argumento do procurador jurídico do município, Emerson Dornelles de Dornelles, para rebater a alegação da Corsan quanto à falta de experiência da Revita, contratada emergencialmente pelo executivo e com registro no CREA-RS de apenas dois meses. Segundo ele, a mesma empresa administra há algum tempo o abastecimento de água em Manaus/AM. Contudo, numa breve pesquisa na internet pude comprovar que a distribuição de água naquela cidade é feita pela Águas do Amazonas, pertencente ao grupo Solví, o mesmo que controla a Revita. 
     Resolvi, então, buscar mais informações que apontassem a atuação da Revita no ramo de saneamento. Porém, o único dado que encontrei foi o registro para “captação, tratamento e distribuição de água”, descrito como atividade secundária no comprovante de situação cadastral da empresa no CPNJ. O site do Solví descreve o grupo como uma holding que controla empresas nos ramos de resíduos, saneamento e valorização energética. Mas a Revita não consta na lista das controladas. Um relatório anual do Solví mostra a cisão parcial da Vega Engenharia, outra empresa do grupo, com destinação de seu acervo líquido contábil para Revita. Essa é uma das poucas menções a Revita no site do grupo.
     A relação de acervo profissional do engenheiro responsável da Revita, Lucas Quintas Radel, traz uma série de trabalhos em nome da Revita e da Vega, porém, todos relacionados à área de resíduos, ou seja, lixo. Chama atenção também que, no site do Solví, a página que descreve sua atuação na área de saneamento indica apenas a Águas do Amazonas como empresa do grupo no ramo.
     Como não encontrei nada que pudesse comprovar a experiência da Revita no serviço de distribuição de água, fiquei na dúvida. Será que o procurador se enganou?

Oportunidade pelo ralo

     Essa semana o Sistema de Seleção Unificada (SiSU), que utiliza a nota do ENEM para selecionar candidatos ao ingresso em cursos de 51 instituições públicas de ensino superior no país, realizou a segunda etapa de inscrições para as vagas remanescentes da primeira fase. Na fronteira-oeste, a alta concorrência para as graduações da UNIPAMPA surpreendeu, mas a disputa acirrada não se refletiu no número de matrículas. A grande maioria dos selecionados não foi até a Universidade para confirmar sua inscrição.
     No campus de São Gabriel, por exemplo, das 50 vagas oferecidas para Biotecnologia apenas oito foram preenchidas. Para Engenharia Florestal ainda restam 39 das 50 vagas ofertadas. A graduação de Gestão Ambiental teve 16 confirmações. O curso de Ciências Biológicas encerrou a primeira etapa com 20 matriculados. Em São Borja, apenas um entre os 50 selecionados para Publicidade e Propaganda se matriculou.
    Aqueles que se classificaram na primeira fase e não confirmaram ingresso na Universidade não podem participar das próximas etapas. O período de matrículas para os que conseguiram vaga agora encerra na próxima sexta-feira (26/02). Entre 01 e 03 de março ocorre a última fase de inscrições para as vagas que sobraram. Em um cenário cada vez mais competitivo, não se pode deixar uma oportunidade como essa escorrer pelo ralo. 

sábado, 6 de fevereiro de 2010

SiSU: concorrência bagual

     Para a coluna de estreia de um recém formado pelos bancos acadêmicos, me ocorreu que não havia melhor tema do que a luta pelo ingresso no Ensino Superior. Ontem foi divulgada a lista dos classificados no Sistema de Seleção Unificada (SiSU), do governo federal. O processo, que recebeu 793,9 mil inscrições de estudantes de todo o Brasil entre os dias 29 de janeiro e 3 de fevereiro, utilizou a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) para selecionar candidatos a 974 cursos entre 51 instituições públicas de ensino superior no país.
     A Fundação Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), com campus em São Gabriel, ofertou 2.465 vagas em 50 cursos de graduação, e o nível da concorrência superou as expectativas dos candidatos da fronteira.
     Acompanhei nos últimos dias as etapas de inscrição de meu irmão mais novo, Roberto, e pude perceber alguns aspectos interessantes do processo. Os dois primeiros dias foram caóticos, e mostraram que o Ministério da Educação (MEC) não estava preparado para administrar o grande número de acessos que superlotou a rede. Muitos estudantes não conseguiram acessar o sistema. Nas cidades do interior, onde a maioria das residências ainda não dispõe de conexão banda larga o problema foi ainda pior.
     No segundo dia os acessos foram normalizados, cerca de 500 mil candidatos conseguiram realizar a inscrição. Ao ingressar no sistema, o estudante conferia sua nota em cada uma das quatro áreas do ENEM e também da prova de redação. A partir daí, era possível pesquisar os cursos oferecidos pelas instituições e a nota de corte calculada com base nas inscrições feitas até às 23h59 da noite anterior. Esse número era recalculado todos os dias até o fim das inscrições na quarta-feira (03/02).
     Como os candidatos podiam tentar uma vaga em qualquer uma das 51 instituições cadastradas, a concorrência surpreendeu os participantes. Na UNIPAMPA, em que a disputa nos últimos processos seletivos foi baixa, o índice de candidatos por vaga cresceu. A causa para o aumento na procura está na descoberta da universidade por estudantes de outras regiões do país. Após a divulgação de notícias sobre a UNIPAMPA na página inicial do SiSU, o número de inscritos nos cursos da instituição deu um salto.
     Muitos estudantes da fronteira-oeste ficaram indignados com a concorrência vinda de fora. Em comunidades do site de relacionamentos Orkut, surgiram debates acalorados quanto à injustiça dos candidatos de outros estados estarem tirando a oportunidade dos naturais da região. Contudo, há outro ponto de vista que não pode ser descartado. A ordem de classificação no sistema leva em conta, em primeiro lugar, a nota dos estudantes. Portanto, é justo que aqueles que tiveram maior pontuação, sejam dos pampas ou não, fiquem em melhor posição.
     Além disso, a chegada de universitários de outros estados aumenta a diversidade cultural e pode trazer consigo incentivos para o desenvolvimento da região. A construção de moradias deve acompanhar o crescimento da demanda, assim como a reforma da rede de transportes e a oferta de opções de lazer. Uma universidade ativa e que atue junte a comunidade pode trazer consideráveis avanços para a população. Naturalmente, a cooperação dos governos locais é indispensável.
     O SiSU inicia como uma boa oportunidade para os que, com esforço e dedicação, buscam ingressar no Ensino Superior. De uma forma ou de outra, com ou sem “forasteiros”, a fronteira-oeste sai ganhando.