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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

100 anos de Futebol na Fronteira

Um panorama completo dos primórdios do Futebol na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, em especial, na Terra dos Marechais. Esse é o resultado de 15 anos da pesquisa realizada pelo jornalista Nilo Dias Tavares e compilada no livro "100 Anos de Futebol em São Gabriel", que será lançado neste sábado (1/10), às 10h, no Museu Nossa Senhora do Rosário do Bom Fim, em São Gabriel.

A obra conta com riqueza de detalhes o surgimento dos primeiros times na cidade, desde 1909, por iniciativa do uruguaio Ramón Monteavaro, até o atual São Gabriel Futebol Clube. Em um trabalho de fôlego, o livro traz em 372 páginas súmulas, escalações, resultados de partidas e campeonatos até mesmo do início do século passado. O trabalho dos dirigentes que ajudaram a desenvolver o esporte no município e a história dos principais jogadores que marcaram época também compõem a publicação.

Fotos antigas, verdadeiras relíquias do passado gabrielense, e o detalhismo preciso e cronológico empregado pelo autor, tornam a obra um legítimo documento histórico, não só de São Gabriel, mas do surgimento do futebol no Interior do Estado como um todo.

O livro tem o prefácio do historiador Osório Santana Figueiredo e apresentação da jornalista Teresinha Motta, esposa do autor. Este jornalista aqui teve a felicidade de contribuir com a diagramação e criação de capa e projeto gráfico da publicação.



FICHA
100 Anos de Futebol em São Gabriel
- Autor: Nilo Dias Tavares
- Publicação independente, 372 páginas

- Prefácio: Osório Santana Figueiredo
- Apresentação: Teresinha Motta
- Revisão: Professora Ângela de Assis Brasil

- Capa, projeto gráfico e diagramação: Carlos Ismael Moreira
- Impressão: FORT – Materiais e Serviços Gráficos.

SOBRE O AUTOR

Nilo Dias Tavares, 70 anos, é pesquisador, radialista e jornalista aposentado. Gaúcho, natural de Dom Pedrito, trabalhou nas empresas Caldas Júnior e RBS, de Porto Alegre e em diversas rádios, jornais, revistas e televisão.

Mantém blogs na Internet, dois deles dedicados ao futebol: www.nilodiasreporter.blogspot.comwww.reliquiasdofutebol.blogspot.com. Desde 1999 reside em Brasília, onde trabalhou nas assessorias de imprensa do Ministério de Minas e Energia, Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE) e Confederação Nacional de Municípios (CNM). 

Nos mais de 50 anos dedicados a imprensa brasileira foi agraciado com algumas premiações. A maior delas foi o “Prêmio Esso Regional Sul de Jornalismo”, conquistado em 1978, quando trabalhava na Companhia Jornalística Caldas Júnior, Sucursal de Rio Grande, com a reportagem “1700/1978 – Dois séculos de desmatamento no Rio Grande do Sul”. 

Foi também presidente da S.E.R. São Gabriel e G.E. Gabrielense, Diretor de Futebol do F.B.C. Rio-Grandense, de Rio Grande, Diretor de Futsal do G.E. Brasil, de Pelotas, e G.A. Farroupilha, também de Pelotas, presidente das Escolas de Samba “Ramiro Barcelos”, de Pelotas, e “Quem é do Mar não Enjoa”, de Rio Grande, e presidente do Bloco Carnavalesco “Tesoura da Tiradentes”, de Pelotas.

sábado, 10 de setembro de 2011

Reconhecimento de uma vida

     Uma vida dedicada ao esporte e a formação de jovens atletas. Esse é o saldo do professor Luiz Celcio Araujo, o Pelé, que comemorou na noite de terça-feira seu aniversário de 65 anos – 42 deles ligados à Escola Estadual de Ensino Médio XV de Novembro, em São Gabriel. Em uma iniciativa de colegas, alunos e ex-alunos, mais de 100 pessoas prestigiaram o descerramento de uma placa no colégio, para batizar a quadra de esportes com o nome do professor.

Quadra do XV de Novembro foi batizada com nome do professor

     Natural de Caçapava do Sul, Pelé ingressou como aluno no XV de Novembro em 1969, para cursar o antigo Clássico. Durante o período escolar, sempre participou como atleta das equipes esportivas, envolvimento que permaneceu mesmo depois de formado, quando passou a ser instrutor de várias modalidades, principalmente atletismo e basquete. Desde então, nunca mais parou de treinar os times do colégio.
     O funcionário público Luiz Fernando Padilha, 49 anos, jogou no mesmo time de Pelé na década de 1970 e admira a dedicação do amigo. – Ele é uma ótima pessoa. Desde que me conheço por gente está envolvido com a gurizada aqui do XV – afirma.
Sargento do exército aposentado e formado em Educação Física, pela Universidade da Região da Campanha em Bagé, em 1990, Pelé teve sua relação com a escola formalizada apenas durante o ano de 1998, quando passou em primeiro lugar em uma seleção para professores temporários. Ele treina as equipes juvenis de basquete e atletismo do XV de Novembro por puro amor ao esporte. – Tive um professor em Caçapava que me deu a primeira oportunidade como atleta. O trabalho com esses alunos aqui é uma forma de retribuir o que eu conquistei através do esporte – explica Pelé.
     O professor de Educação Física, Pedro Moreira, 50 anos, organizador da homenagem, se emociona ao falar ao colega e amigo de muitos anos. Segundo ele, batizar o ginásio com o nome de Pelé é uma forma reconhecer a dedicação do treinador enquanto ainda está comandando os times na beira da quadra. – O Pelé é aquele amigo que me ensina sempre, muitas vezes sem dizer uma palavra. Vai ser um grande orgulho entrar nessa quadra para dar aula e ver o nome dele na entrada – declarou Moreira.

Pelé (D) e o colega professor Pedro Moreira

     Tímido e de voz grave, Pelé é dono de um sorriso de orelha a orelha. Além do talento como treinador – já perdeu a conta de quantos títulos conquistou ao longo da carreira – tem a habilidade de agregar amigos. Segundo ele, a convivência como os estudantes é o maior prêmio pelo seu esforço. – O contato com os jovens renova as minhas energias – revela.
     Tanto tempo como professor rendeu a Pelé o carinho e a admiração de todos na cidade. – Em São Gabriel, quem já jogou, quem ainda joga, e quem vier a jogar basquete, passa pelas mãos do Pelé – comenta o advogado Ricardo Gomes, que participou do time da escola entre 1986 e 1989.
     Outro ex-aluno, o também advogado Júlio Cesar dos Santos, 39 anos, não poupa elogios ao técnico. – Queremos que você continue aqui por muitos anos, e que nossos filhos tenham o teu exemplo, mesmo que de bengalinha – brincou Santos durante a homenagem.
     A diretora do XV de Novembro, Andréa Bonorino Cunha, reforça a entrega do treinador ao trabalho com os jovens atletas da escola. – Ele é uma pessoa que se doa e está sempre preocupado com a formação dos alunos. É um exemplo de como devem ser todos os professores, um verdadeiro mestre – elogiou.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Informação pública: direito da sociedade

Passado o turbilhão das eleições que, pelo menos no Rio Grande do Sul, já foram decididas, a coluna Da Capital ao Pampa volta a chamar atenção para a realidade gabrielense. Afinal de contas, as mudanças, sejam elas positivas ou negativas, virão apenas em 2011. Até lá, temos ainda alguns meses pela frente e não podemos deixar de lado os acontecimentos e situações do nosso pago.

Na última edição, escrevi que a coluna traria alguns questionamentos ao presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Paulo Barros, o Nenê, que deixou registrada na imprensa sua disponibilidade para esclarecer quaisquer dúvidas sobre a administração do legislativo em São Gabriel. Isto foi feito hoje pela manhã, quando encaminhei à Câmara um ofício com os seguintes pedidos de informação:

- a relação de empenhos registrados entre 01 de janeiro e 31 de agosto de 2010, com a respectiva data de emissão, numeração, credor e valor.
- o nome de todos(as) os(as) estagiários(as) contratados(as) pela Câmara no ano de 2010, com as respectivas instituições de ensino com as quais foram firmados os contratos, data de contratação e, quando houver, data de rescisão do contrato.
- cópia do contrato de locação de automóvel para transporte do presidente da Câmara.

A coluna irá aguardar o prazo de três dias úteis, especificado no ofício, para receber a resposta. Acredito que o pedido de informação será prontamente atendido, uma vez que o vereador Nenê faz questão de exaltar a prática da transparência em sua administração. Além disso, o artigo V da Constituição Federal, no inciso XXXIII, prevê que todos têm direito de receber dos órgãos públicos informações, sejam elas de interesse particular ou coletivo.

Na semana que vem, teremos novidades importantes. Peço aos leitores que fiquem atentos aos próximos acontecimentos.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Carta ao Da capital ao pampa ou Das coisas que ficaram lá onde deixei o cavalo atado

Por Lucas Loch Moreira

     Longe do pago amassado, onde o tempo descansa e o açoite castiga inocentes, o bom moço que vagueia em campos cibernéticos para trazer frescas as “novas” (que na verdade são praticadas há muito tempo) já é mais subversivo e aterrorizador para alguns do que todos os barbudos de Sierra Maestra juntos e de banho-não-tomado. Sim a vida não é justa, ele sabe disso desde tempos imemoriais. Porém, usar do instrumento fabuloso que é a PALAVRA para combater as iniquidades de gestores de um sistema em eterna falência não é tarefa fácil. Ah se não é! E é por isso que dedico este texto a coragem do homem que deixou sua terra, sua morada, mas não deixou nem um segundo sequer de pensar em melhorá-la. E é com esta coragem que se forjam homens de VERDADE, que não andam de braços dados à mentira, covardia e a injustiça, por que estas são atribuições dos ignorantes, dos tiranos e dos canalhas.

     Validar verdades em terras-sem-lei é quase suicídio, sei disto, mas aqui não há espaço para o temor. Acontece que, no meio de uma síncope desvairada de acontecimentos vis por parte dos que perpassam, ou até atravessam, a máquina pública, tendemos à indignação. Ou melhor, deveríamos assim agir.

     Não deve haver nada melhor, para um cidadão em Porto Alegre, que lambuzar-se de um milho-verde acompanhado com um latão de Polar na Redenção depois de exaustivos trabalhos. Mas há pessoas que trocam as tentações dos prazeres cotidianos por outras nem tão recompensadoras e nada amistosas. Que trocam a solução do silêncio pela da voz ativa. Que sabem que a imparcialidade é um mito e que não é feio mostrar de que lado se está quando se está ao lado da verdade. Que não precisam ganhar dinheiro de um partido político para saber o que irão estampar nas capas de jornais, sites e blogs.

     Antes de julgar um meio de comunicação, ou o próprio comunicador, há um longo caminho intelectual a ser trilhado, algo que um NENÊ ainda não está apto a fazer. Mas mesmo assim faz. E assim deliram os projetos-de-caudilhos que se assentam nas largas e fofas cadeiras azuladas da Câmara de Vereadores de São Gabriel, enquanto não estão gastando as diárias pagas pelo SEU bolso, é claro. Isso demonstra que realmente faz sentido a prática de centenas de jovens gabrielenses que teimam em fazer daquilo uma patente pública, urinando pelas paredes, pois talvez sejam atraídos pelo cheiro de coisas mais podres que vem lá de dentro.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

SiSU: concorrência bagual

     Para a coluna de estreia de um recém formado pelos bancos acadêmicos, me ocorreu que não havia melhor tema do que a luta pelo ingresso no Ensino Superior. Ontem foi divulgada a lista dos classificados no Sistema de Seleção Unificada (SiSU), do governo federal. O processo, que recebeu 793,9 mil inscrições de estudantes de todo o Brasil entre os dias 29 de janeiro e 3 de fevereiro, utilizou a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) para selecionar candidatos a 974 cursos entre 51 instituições públicas de ensino superior no país.
     A Fundação Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), com campus em São Gabriel, ofertou 2.465 vagas em 50 cursos de graduação, e o nível da concorrência superou as expectativas dos candidatos da fronteira.
     Acompanhei nos últimos dias as etapas de inscrição de meu irmão mais novo, Roberto, e pude perceber alguns aspectos interessantes do processo. Os dois primeiros dias foram caóticos, e mostraram que o Ministério da Educação (MEC) não estava preparado para administrar o grande número de acessos que superlotou a rede. Muitos estudantes não conseguiram acessar o sistema. Nas cidades do interior, onde a maioria das residências ainda não dispõe de conexão banda larga o problema foi ainda pior.
     No segundo dia os acessos foram normalizados, cerca de 500 mil candidatos conseguiram realizar a inscrição. Ao ingressar no sistema, o estudante conferia sua nota em cada uma das quatro áreas do ENEM e também da prova de redação. A partir daí, era possível pesquisar os cursos oferecidos pelas instituições e a nota de corte calculada com base nas inscrições feitas até às 23h59 da noite anterior. Esse número era recalculado todos os dias até o fim das inscrições na quarta-feira (03/02).
     Como os candidatos podiam tentar uma vaga em qualquer uma das 51 instituições cadastradas, a concorrência surpreendeu os participantes. Na UNIPAMPA, em que a disputa nos últimos processos seletivos foi baixa, o índice de candidatos por vaga cresceu. A causa para o aumento na procura está na descoberta da universidade por estudantes de outras regiões do país. Após a divulgação de notícias sobre a UNIPAMPA na página inicial do SiSU, o número de inscritos nos cursos da instituição deu um salto.
     Muitos estudantes da fronteira-oeste ficaram indignados com a concorrência vinda de fora. Em comunidades do site de relacionamentos Orkut, surgiram debates acalorados quanto à injustiça dos candidatos de outros estados estarem tirando a oportunidade dos naturais da região. Contudo, há outro ponto de vista que não pode ser descartado. A ordem de classificação no sistema leva em conta, em primeiro lugar, a nota dos estudantes. Portanto, é justo que aqueles que tiveram maior pontuação, sejam dos pampas ou não, fiquem em melhor posição.
     Além disso, a chegada de universitários de outros estados aumenta a diversidade cultural e pode trazer consigo incentivos para o desenvolvimento da região. A construção de moradias deve acompanhar o crescimento da demanda, assim como a reforma da rede de transportes e a oferta de opções de lazer. Uma universidade ativa e que atue junte a comunidade pode trazer consideráveis avanços para a população. Naturalmente, a cooperação dos governos locais é indispensável.
     O SiSU inicia como uma boa oportunidade para os que, com esforço e dedicação, buscam ingressar no Ensino Superior. De uma forma ou de outra, com ou sem “forasteiros”, a fronteira-oeste sai ganhando.